OPINIÓN

Papandreu no centro da Europa

Pepe Árias

Há uns poucos dias pudemos conhecer de primeira mão o tecto democrático da Europa do capitalismo e da guerra do Iraque e Afeganistám. Quando um presidente dum governo soberano pensa na opçom dum referendo…para perguntar aos seus cidadãos sobre elementos centrais da política económica, todos os dirigentes do velho continente falam da sua irresponsabilidade,da constante “ameaça” dos mercados, e dum certo oportunismo à hora de aceitar fundos para resgatar a dívida da Grécia. Neste ponto, como na questom basca e em geral no corte de direitos nacionais e sociais dos povos, o PPSOE estava dacordo com as argumentações nascidas dos gabinetes de Merkel e de Sarkozy.

 

Contudo, Papandreu nom é o último nacionalista da Europa. Num país danado pola crise, no que se inventam cada pouco novos impostos, onde renasce a esquerda no seu sentido mais tradicional e onde a mocidade pega nas malas para emigrar, este homem decidiu golpear a mesa da democracia-espetáculo para sair da foto com um pouco de dignidade. A sua atitude entra mais no simbólico do que no político, já que como sabemos retirou a sua proposta de referendo e buscou a “tranquilidade” dos mercados, mediante um governo de coaligaçom entre liberais e socialdemocratas. Se bem muitos pudemos sorrir sem demasiadas esperanças diante dos jornais ou da televisom, o certo é que o gesto de Papandreu foi umha verdadeira insignificância em relaçom ao que estam a fazer com nós: cortes da sanidade, da educaçom, militarizaçom dos espaços públicos, vídeo-vigilância, etc.

 

Para sairmos dos gestos e pensarmos na política, ou da negaçom desta se nom está subordinada à defesa dos intereses da maioria social, pudemos recorrer a dous pensadores que, de duas óticas afastadas – tanto no político como no geográfico – centrárom-se na Europa; no primeiro caso estamos a pensar em Toni Negri, que considera a Europa como um espaço de liberdade diante de todas as injustiças que acontecem no mundo. Podemos considerar correta ou incorreta esta afirmaçom, mas se pomos a vista em Ásia, África ou nalgúns países da América Latina veremos até que ponto as coisas podem ir a pior. Entrementres, os defensores da democracia-espetáculo pensam em Cuba, Venezuela e Bolívia como lugares onde nom se respeitam os direitos humanos, olvidando, nom acaso, vulnerações desse calado no mesmo Estado espanhol, como denuncia anualmente Amnistia Internacional. O outro pensador é Camilo Nogueira, que sempre considerou, de forma polémica no seio do campo nacionalista, que de Bruxelas podemos esperar muita mais cumplicidade do que de Madrid. Veremos no marco do Estado se esta afirmaçom é verdadeira ou falsa e, no caso de se verificar, também veremos que papel tem a questom social num hipotético novo marco jurídico-político integrado na UE, com as mesmas limitações que hoje tivo Papandreu.

 

Para o nossa realidade, estas ideias ficam muito longe de se poder materializar. Nom assim, os debastadores efeitos das mudanças no sistema, a crise capitalista, o corte de liberdades sociais, sindicais e políticas. No marco das soluções, a aposta da construçom nacional e social pola base contrasta com os inquéritos do 20N, que infelizmente mostram um aumento claro do espanholismo. Contudo nom acreditamos nos atalhos, e temos que aprender a viver como o fam as formigas. Só assim poderemos afrontar o futuro com um mínimo de garantias.

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Pepe Árias dirixe desde 2009 o proxecto editorial Corsárias. Para alén da súa actividade editorial, participa en diferentes iniciativas militantes vinculadas ao asociacionismo de base e ao movemento galego. Ademais de en Tempos Dixital colabora habitualmente co xornal soberanista Novas da Galiza e co portal independentista galizalivre.org.
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