OPINIÓN

Exclusom constitucional

Pepe Árias

Na vindoura segunda-feira 19 de março cumprirá-se o duzentos aniversário da  promulgaçom da Constituiçom de Cádis de 1812. Para esse dia a propaganda  institucional do Reino de Espanha tem-nos preparadas toda umha ladainha de  argumentos e de pronunciamentos, nas que os direitos e as liberdades que temos  hoje tenhem a sua origem em 1812. Porém, onde fica a Galiza nesta recriaçom  histórica, digna de qualquer aparato de propaganda?

Todos os nacionalismos de Estado criam umha mistificaçom do passado coerente, sem contradiçons. No caso de Espanha, a luita contra os mouros durante a reconquista, a chegada aos territórios de ultramar para civilizar e evangelizar, ou a suposta unidade linguística do que coletivos ultra denominam lengua común tratam-se simplesmente de mitos. Os reinos cristaos tivérom grandes périplos de paz durante sete séculos, e mesmo se aliárom com os reinos de taifas contra outros reinos cristiaos por desputas que nom tinham a ver com a religiom; em América Latina, as gestas que as crianças galegas aprendem nas Gallinas Azules som considerados como autênticos genocídios. Em 1812 constitui-se um discurso unificado e homologado para um Estado que, a diferença de outros dentro do seu mesmo continente, nom tem a luita antifascista como um elemento central dentro dos lugares comuns da democracia burguesa.

O que hoje homenageiam PP e PSOE é a nossa exclusom constitucional. Júlio Teixeiro utiliza este conceito para entender que na construçom de Espanha, e fundamentalmente na preservaçom de elementos centrais da sua forma de vida, o povo da Galiza fica fora do Estado. Nom se aceitam as nossas caraterísticas culturais, despreza-se a nossa língua e perverte-se o sentido mesmo da nossa existência coletiva, negando-nos o nosso modesto espaço no mundo. Pensade no pouco que tinham que ver com nós os constitucionalistas sentados de Cádis, que nom fôrom eleitos em lugar nengum. A dia de hoje isto nom mudou. Por muito que existam disposiçons legais e formais, o facto de viver na nossa língua – elemento central da cidadania – é algo negado num país onde se impedem as alianças com Brasil ou Portigal ao mesmo tempo que os poderes mediáticos e económicos nos conetam cada vez mais rápido com Madrid.

Os perdedores dentro desta história também tenhem um relato de estigmatizaçom, no que a Galiza tem um lugar destacado. Judeus e mouros primeiro, separatistas e esquerdistas depois. A ciência política ensina-nos que sempre nos dá forma o nosso inimigo. É por isso que temos que pôr em cautela qualquer afirmaçom sobre o mundo árabe, que depois do 11S revive em Ocidente umha perseguiçom brutal contra os integrantes das suas comunidades. E polo tanto temos que ter cuidado de nom parecer-nos à caricatura que dos meios de comunicaçom se quer elaborar de toda aquela pessoa que defende que este, se queira ou nom, este país é umha naçom.

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Pepe Árias dirixe desde 2009 o proxecto editorial Corsárias. Para alén da súa actividade editorial, participa en diferentes iniciativas militantes vinculadas ao asociacionismo de base e ao movemento galego. Ademais de en Tempos Dixital colabora habitualmente co xornal soberanista Novas da Galiza e co portal independentista galizalivre.org.
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