OPINIÓN

A fogueira espartana

Pepe Árias. Fotografia de Rute Cortiço

A día de hoje, a afirmaçom do Negri mais reformista em relaçom ao papel da Uniom Europeia como garante de direitos e liberdades está em dúvida. Se repasarmos todos os lugares comúns que se verbalizam sobre o país heleno, o facto do nascimento da filosofía e da democracia em Grécia mostra-se como um antecedente histórico para legitimar os atuais Estados liberais.

Porém, dentro da narraçom da gente de orde falta sinalar que a democracia ateniense, se é digna desse nome, elemento que nós negamos, tem como digna sucessora a atual reforma laboral promovida por Rajoy, tendo como modelo histórico de referência a escravatura da cidade-Estado grega. Contudo, esta nova agressom à maioría social nom explicita –como acontecía nos modelos citados– que os amos tenham a obriga de manter os seus escravos. Qualquer velho diria ante isto que qualquer tempo passado foi melhor. Neste caso preferimos ficar com o otimismo da vontade.

 

Dentro da verborreia barata dos todólogos dos meios de comunicaçom integrados em Espanha e o capital, um dos elementos que centra as críticas a aqueles que pretendemos construir umha esquerda consequentemente anticapitalista (nom estamos a falar de esquerdismo, cómpre deixá-lo claro) é que supostamente defendemos aquela máxima de que quanto pior, melhor. Esta falácia da agit-prop neocom converte-se infelizmente numha verdade absoluta em muitos lares galegos, acompanhada da distorçom entre teoria e prática da metade do nacionalismo institucional que hoje ficou com as siglas e sem a metade da militância. Se darmos umha vista de olhos à Grécia, vemos até que ponto esta afirmaçom é umha falsidade. O que nom comentam os todólogos, que é um termo subtil do Carlos Taibo que esconde a de verdadeiros mercenários e propagandistas do neoliberalismo rampante, é que alcançar o consenso numha sociedade de clases implica que se estabeleçam concessons, conquistas e derrotas. Se bem depois de 1968 o consumismo levou consigo a que boa parte das sociedades avançadas adquirissem direitos e liberdades formais, a agudizaçom da crise capitalista verifica até que ponto a oligarquia está disposta a dar umha volta de porca mais. Se bem no Reino de Espanha e nas suas colónias o consenso para a maioria social está em acatar um novo contrato social pola via dos factos consumados, no que se baixarám as prestaçons aos pensionistas e se agilizará o despido livre, na Grécia os donos das vidas dos gregos precisam sangue humano. Já se fala de que 30% dos nenos gregos se encontram malnutridos. Como berramos nas manifestaçons independentistas, esta é a sua democracia.

 

Atenas conviveu no espaço e no tempo com Esparta. Se Atenas serve para virar cor- de- rosa o dominio, Esparta é a mostra viva do que realmente é o poder em qualquer sociedade: administraçom e exército, bases que os maltratadores de Lenine em determinado meio digital omitem –se é que as sabem–. Mas quando a desesperaçom popular vira as sedes de empresas transnacionais em autênticas fogueiras, o calor nasce polas mobilizaçons diárias estende-se polas noites espartanas dum povo traizoado, vilipendiado e submetido por uns governantes que lançam os antidisturbios contra aquele combatente que retirou a bandeira de Hitler do Partenom, e que a substitiui pola do seu país. Houvo galegos que entrárom armados no París ocupado polos nazis e que som hoje lembrados como verdadeiros heróis, outras –como recolhe de forma apaixonante Aurora Marco–, tambem combatêrom nas serras deste país contra todo o que representava Fraga Iribarne, e temos que orgulhar-nos deles. Porque da mesma maneira que negamos os nossos negadores, a aqueles que querem que a Galiza se dilua na história e que o povo trabalhador seja um sujeito sem conciência, afirmamos que para nós a democracia reside na memória da luita antifranquista, e tem umha consequência prática central: significa podermos decidir sobre o sentido e a direçom cara a onde queremos ir como sociedade.

 

Contudo, a Galiza nom é Grecia. O facto de que no país mediterrâneo a meirande parte da populaçom resida na conurbaçom urbana Atenas-Tesalônica e que o rural seja um cenário invertido da eurolândia, um parque temático para guiris, fai-nos pensar que as claves do futuro para o nacionalismo e para o independentismo tenhem que vir pola compreensom da centralidade das luitas em defesa do território, sem menosprezar em absoluto outros espaços de intervençom militante. Tanto ou mais importante que construirmos um novo referente político é garantirmos a soberania alimentar do nosso povo. E amanhá mesmo podemos començar a rozar leiras.

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Pepe Árias dirixe desde 2009 o proxecto editorial Corsárias. Para alén da súa actividade editorial, participa en diferentes iniciativas militantes vinculadas ao asociacionismo de base e ao movemento galego. Ademais de en Tempos Dixital colabora habitualmente co xornal soberanista Novas da Galiza e co portal independentista galizalivre.org.
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