OPINIÓN

O sequestro do Apalpador

Pepe Árias. Fotografia de Rute Cortiço

Desde que em 2006 a Gentalha do Pichel começou um árduo trabalho na recuperaçom do nosso gigante carvoeiro, o solstício de inverno tivo umha importante mudança nos fogares de muitos e muitas galegas. Acompanhado dum marco territorial pleno e nom amputado polas províncias espanholas –muitas escolhas etnográficas se encontrárom na outra parte da fronteira administrativa –, e repleto de críticas ao consumismo em momentos nos que a crise ainda nom estava nos jornais do regime, foi-se fazendo um oquinho humilde dentro da imaginaçom coletiva, inclusive naqueles segmentos da populaçom mais afastados do campo associativo no que renasceu.

 

A praça da Quintá tivo umha pista de patinagem. Mui tradicional. No Natal de Espanha e do capital tem que haver cousas modernas. Tanto ou mais que a Cidade da Cultura, que após anos e anos de inaniçom ainda nom sabemos exatamente para que serve. Porém, e como era costume desde há três anos, em Compostela os nenos doentes nom tivérom os presentes do Apalpador. Tampouco foi aos centros sócio-culturais do concelho, seica ninho de culturetas progres, onde os velhos miram o jornal e pouco mais. Desapareceu também da web oficial do Concelho, supomos por ser um invento dos independentistas, e nom da Coca-Cola. Nom foi aos infantários públicos, esses que agora se chamam polas quatro províncias Gallina azul. Sim que foi pola Semente, escola infantil onde só se utiliza a língua galega, seguramente muitos mestres o levárom também às aulas sem que se inteirasse o senhor alcalde, e mesmo fijo a sua apariçom polas ruas da zona velha. Como nom podia ser doutra maneira.

 

Desconhecemos se o Apalpador sentiu o fôlego na caluga do alcaldinho. Os que nom o sentírom fôrom os movimentos populares, criminalizados até a saciedade polo jornalismo mercenário, aquele que fai sua a norma de nom consultar as fontes e de, chegado o caso, manipulá-las de forma sistematizada. Nom o sentírom ou talvez sim as sentírom, pois umha imagem tam violenta pode-se interpretar de muitas formas. Sentiram-no o nom, comportárom-se como se nada acontecer. Assim, as linhas do passado misturam-se com as do presente, nom tanto convertendo Compostela numha cidade basca como regressando –dependendo do momento– a umha mutaçom parecida ao que significou o franquismo nom só em termos nacionais, também em termos sociais.

 

Os que gostamos das festas demasiado gallegas tempos que optar por nom esperar por ninguém. É por isso que para viver como queremos viver abrimos os Centros Sociais, sendo mais necessários naquelas urbes onde o galego tem menos presença social. Também por isso nascem meios de comunicaçom, porque a TVG apenas espelha umha parte interessada e lonjana, lonjana dos interesses da maioria social . Também os pais que querem umha educaçom integral em galego pensam em montar escolinhas, tam importantes ou mais que defender-se trás um sindicato ou parapetar-se contra a privatizaçom da sanidade pública.

 

Nesta Galiza na que miramos o futuro sem esperança nem tam sequer o Apalpador pudo pasar o Natal tranquilo.

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Pepe Árias dirixe desde 2009 o proxecto editorial Corsárias. Para alén da súa actividade editorial, participa en diferentes iniciativas militantes vinculadas ao asociacionismo de base e ao movemento galego. Ademais de en Tempos Dixital colabora habitualmente co xornal soberanista Novas da Galiza e co portal independentista galizalivre.org.
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